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domingo, 27 de novembro de 2011

Coisas da vida...

A vida tem dessa coisas. Eu que não gostava de Paulo Coelho, venho agora citar um textinho bacana, que dedico ao meu pai. É perfeito sobre tudo aquilo que sempre digo à ele e ele não me entende.


O QUE É VENCER NA VIDA

"O rapaz contemplava o pôr-do-sol perto de um lago quando chegou sua namorada.
- Você está perdendo um tempo precioso – disse. – Está na hora de arranjar um emprego, e vencer na vida.
- O que é vencer na vida?
- É ganhar dinheiro, ter uma posição na sociedade.
- Para quê?
- Para, na velhice, poder ter um lago como este só para nós.
- E, então?
- Então, podemos sentar, e olhar o pôr-do-sol sem preocupação.
- Não estou preocupado, o lago está na minha frente, e estou olhando o entardecer com você – concluiu o rapaz."


Pai, o rapaz sou eu e a namorada é você...beijos, te amo!

=*

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Acaso

Tem chegado a hora de deixar tudo como está,
Fechar os olhos e deixar passar
E passar por todos sem se deixar notar


O que acontece fica por conta do imprevisto. 
Sem o medo enregelante, agora entendo o que você me dizia:
"Confia naquilo que não se sabe, naquilo que não se vê"


O além, o aquém, o acaso...


=*

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Na ponta do lápis

Isso aqui é tão inútil
Por que não vamos logo embora?
Esperar é ter que sentir 
E precisar entender o que ainda 
não tem explicação
Estou por um motivo que é claro, mas
a solução ainda está longe de se afigurar 
na minha fronte
Preciso de um acalento, uma palavra
Seguir como cego é ter que confiar
e persistir 
na tênue luz no fim da estrada...

                                                 

terça-feira, 1 de março de 2011

À paz que não me deram.

E lá vem este:  "credo, leia um livro ao invés de assistir essa porcaria na tv..." 
Ou vem aquela:  "por que não sai um pouco, está um dia lindo lá fora..."


...hã? ...como assim??

Duros cacetes! Será o momento? Tu me flagras de pé para cima, shorts jeans, cabelos molhados, olhos semi-cerrados, humor violentamente volátil e...



A saber, pedra no meu sapato: não quero formar opinião, nem treinar a velocidade do meu raciocínio, ou parecer útil quando é inútil ser assim tão prestável. Se me entende, estou mole como minhoca.


Levanto agora, neste minuto que em segundos há de se acabar, uma bandeira verde-abacate com bolas marrom-cocô a anti-cultura pra amaciar miolos fritos e ao extermínio das línguas daqueles que não sabem o que dizem.


Depois de acabar comigo mesma o dia todo tentando resolver os problemas dos outros para ganhar algumas merrecas no fim do mês, gastos quase integralmente em planos de saúde (salvo a tv a cabo), o que mais um ser humano razoavelmente são gostaria de fazer?


tic-tac!


Oras, bolas: não pensar em nada!


Xô horários, xô você que vem me perturbar com suas cismas egocêntricas! Não quero nada neste instante.


Quero assistir qualquer merda na televisão, ou sentar num bar e encher a cara de cerveja com piadas sem graça, ou fixar o olhar no vazio tirando meleca do nariz, ou fazer amor a noite inteira...ou acompanhar um reality show ucraniano, quem sabe.


Então, para fazer jus a esse post sem pé nem cabeça, estimulado apenas pela minha íntima e necessária rebeldia contra você, culpado somente pelo fato de ser mais um a ter nascido nesta terra de abobados, aliada ao álcool em minhas veias, deixo um grito de indignação à ...


a tudo....


todos....


Qualquer coisa que me faça séria!


Terminarei este minuto que antecede o segundo minuto a sorver minha garrafa de vinho chileno com amendoim e unhas roídas.



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Pago pau, não sou tiete! - Parte Dois

Depois de admirar o cérebro de Gregory House, vou exaltar uma figura masculina simplesmente bárbara de se ver!
Fora carinha pelada de narizinhos perfeitinhos. Esse é macho puro sangue. Sangue quente, latino. Homem com cara de homem. 

Meninas de bom gosto: Javier Bardem. 


Fala sério, né... 


Olho pra ele e penso: "Testosterona!"


Cérebro de House, corpão de Bardem... Aos pouquinhos vou montando um homem aos meus moldes. Não digo ideal, mas interessante! 


Só pago pau gente, não sou tiete!


=*

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Feliz ano novo, macacada!!!

Hoje deixarei meu mau humor clássico para abordar a alegria da celebração e dar boas vindas a mais um ano que se inicia. É ano novo, vamos começar novamente a planejar e a ensebar para concretizar. 

Inícios de ano são simbólicos. Simbolizam a renovação, a reflexão e a purificação. É estimulante, como todas as segundas-feiras. Porque quem quer começar a dieta, parar de fumar e frequentar a academia sempre escolhe a segunda - o começo da semana. Básico.

Eu tenho meus planos muito bem arquitetados, mesmo se ainda estivéssemos em agosto de 2010, ou se já fosse abril de 2011. Tanto faz a data, o importante é fazer. Os anos, dias, horas são medidas. Medir, contar, alinhar, agrupar, separar, entre outros é algo intrínseco no ser humano, que tem essa necessidade de organizar o caos. Tempo não existe: foi inventado pela nossa razão. Tudo visto de fora das nossas convenções é caos. 

Daí se falo pro meu pai: "pai, eu reprovei na faculdade porque não estou com pressa. Apenas preferi fazer de novo a fazer mal feito" - ele fica puto, pois pra ele é importante o tempo. Pra mim, não. Sério: por que a pressa, gente? O final é o mesmo para tudo e para todos. Sempre tem um fim. Daí a gente corre pra chegar logo até ele? Sem medo de afirmar, essa pressa de correr sem fôlego atrapalha nossas escolhas, nosso modo de aproveitar cada momento que se apresenta. 

Talvez por isso eu aparente menos idade do que tenho, porque sou calma...

Mas deixemos o papo furado de lado e o futuro incerto nas mãos dos acasos e destinos. O mais importante de tudo é ajudar estes últimos a moldar nossa história de forma pacífica e harmoniosa. Seja qual data for. 

Desejo com carinho um feliz ano novo a todos que pararem aqui para ler minhas porcarias. 

=*

Foto de Manuel Madeira 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

CAPÍTULO II - Shakira

CAPÍTULO II

SHAKIRA

Em meio àquele turbulento ano de sofrimentos adolescentes, cujo motivo da minha expiação era um namoradinho bobo cheio de espinhas, Deus me deu Shakira.

Era o dia do meu aniversário e, na volta da pizzaria - chateada por ter levado um bolo do sebento em questão- tropecei num serzinho minúsculo caído no chão. Estava agarrado ao asfalto, com as patas esparramadas, inerte.

Chuviscava.

Imediatamente, descolei do chão aquela miniatura e agarrei junto ao meu peito. As unhas fincaram em minha blusa e senti que eram ainda fininhas e moles. Era fêmea, preta e branca, muito limpa e sadia. Pelos meus cálculos incertos, ainda não tinha desmamado. E eu estava certa.

Cheguei em casa e nem preciso dizer que minha mãe ficou doida, ordenando que eu desse fim ao bicho na mesma semana, sem falta. Ninguém a queria, apenas eu.

Num misto de contentamento e medo (nunca tive gatos) a observava atentamente. Tinha grandes olhos verdes e uma cara de vira-lata do tipo mais comum. Linda.

Num dado momento, a gata cedeu e se acalmou e, deitada de lado com ela próxima aos meus cabelossem querer, pousei meu polegar próximo ao seu focinho. Instintivamente, ela começou a chupar o meu dedo.Aquele momento selou nosso laço de carinho e cumplicidade que só uma longa história de convivência é capaz de comprovar.

Mais tarde abandonou meu dedo dando preferência ao lóbulo da minha orelha. Bastante esperta.

Comigo ela ficou, cresceu, se criou. E nos meus braços ela se foi.

Era minha gata, minha paixão. E dela não consigo falar sem que dos meus olhos caiam espessas e doloridas lágrimas.


A protagonista

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

CAPÍTULO I - Isa

Quem me conhece entende meu relato.


CAPÍTULO I

ISA

Mal nasce o sol e lá vem ela... Cheia de manha, choraminga baixinho à soleira da minha porta. Fico imóvel, drogada de sono, esperando o silêncio conciliador. Prendo a respiração. É muito cedo...
Ela, ansiosa, ensaia uns arranhões na pobre madeira. Murmura gemidinhos mimados.

Mesmo com o ouvido de encontro ao travesseiro e a mente confusa orquestrando uma festa de sonhos desconexos mesclados à realidade, intuitivamente sei que é ela.

Irresistível dona.

De meia esgarçada saindo do pé, pijama amarrotado e boca babada me levanto. Trôpega que só, abro a porta para a assanhada matutina.

Apesar dos olhos embaçados, a visão é a da mais pura alegria: satisfeita por seu desejo atendido, salta em meu colo a gorda e suas patas gigantes sujas de terra, com aquele sorriso largo que custo a ver igual. Me dá umas lambidas (poucas, pois é educada) e apoia a cabeça nas minhas coxas para que eu lhe faça carinho.

Pesada, desajeitada, carente...

E só o que sinto é amor...! Sem custo, sem dor.


A protagonista

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um vazio de mais nada.

Só gosto de vir aqui quando tenho assunto. Hoje não tenho nada. Não tenho tempo pra pensar bobagens como antigamente. Uma pena, porque sinto falta de pensar no que não vale a pena. Momentos que se esvaem dos meus dedos...

Corro o dia inteiro. Corro tanto que quando páro acho que não deveria, porque estou perdendo tempo. Do que exatamente, eu não sei. Sintomas do mundo pós-moderno e pré-holocáustico. Melhor não parar, para não me perguntar: "onde isso vai dar?"
Tenho medo dessa pergunta - ela anula todo meu esforço sobre-humano de seguir em frente. Feliz dos ignorantes.

E assim segue a vida.

...nada estimulante. Só vejo todo mundo no seu mundinho de areia movediça, "twitando" nada com nada, vegetando, apoiando seus corpos obesos de silicone em seus pés calejados e sem entusiasmo. A falta de criatividade e de individualidade me deixam morna, apática.

E daí podem me perguntar porque reclamo tanto das pessoas e como eu gostaria que o mundo fosse. Ou diagnosticar um complexo de super ou inferioridade. Não diria isso. Diria que não me ajusto, não estou em sintonia com a grande massa. Porque gosto das pessoas, quero estar perto delas, mas não rola... fico entediada, entristecida com tamanha pobreza de pensamentos e atitudes.

Mas também, a minha pessoa não interessa. Não importa nada o que eu penso. O que realmente importa é tudo aquilo que todo mundo esqueceu ser importante. Na verdade, não há tempo de crescer - só há tempo de se ter. Somos escravos das aparências, da beleza da carne inatingível.

Hoje estou antipática.

Vou dormir, tchau!


Vazio - fragmento de imagem de Pablo Herrerias


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Nos simples gestos...

Em quem votar?


Voto em quem tem mãos de professor; naquela do olhar devagarinho e palavras inteligentes ou na de postura vacilante nitidamente desconfortável ?


Claro que decisões não se baseiam puramente nisso, muito menos a escolha de um voto, mas muito pode ser extraído se feita uma boa observação nos gestos de nossos ilustres candidatos à presidência. 


Depois de eu fazer minha investigação a respeito de cada candidato, ainda estava em dúvida entre dois deles. Ontem, assistindo ao debate tive minha luz, finalmente.


Dilma Rousseff. O que se sabe dessa dona? Marketing e maquiagem pesada escondem daqueles que não sabem procurar aquilo que não querem que a gente veja. Não vou me ater a falar dela. Nosso passado pertence à nossa história - e que se saiba disso, né?


José Serra. Macaco velho, experiente. Gosto dele. Sua campanha foi trágica, desesperada - nisso não foi inteligente. Não mencionou Fernando Henrique...Por quê? Bom, antes ele do que a Dilma.


Marina Silva. Desde o começo, minha preferida. 


E no meio de todos aqueles gestos e palavras rolando solto, eu observei. 


Dilma Rousseff. Cambaleante. Voz quase que imperceptivelmente frêmula. Sei lá, eu vi isso nela. Por que estava nervosa? Campanha lindíssima, atroz. Não pouparam nada para Dilma. Mas ao vivo, quem diria... Fiasco. Não me convenceu em nada a protegida do Lula. Suas mãos não tinham posição, sua cabeça pendia hora para cá, hora para lá. É, estava desconfortável. Estranho isso, né? O povão bota fé nela e ela não se sente segura? Não, meu voto não é dela.


José Serra.  Hey, teacher... Suas mãos é de professor nato. Sorrisinho faceiro, escarra truques do "verbal político" e abusa um pouco de promessas eleitoreiras. Ao contrário da Dilma, ele me pareceu bastante a vontade no meio de seus adversários. Na sua praia. Mesmo não concordando com sua campanha, simpatizo com o Serra. Mas meu voto também não é dele. 


Marina Silva. Postura elegante, tranquila. Seu olhar transmite confiança. Há quem diga que ela não é carismática e não concordo. A única que não baixou o nível. Dentro de suas possibilidades, fez sua campanha de forma simples e esclarecedora. Eu gostei disso nela. Nela eu voto. 


Do velhinho nem vou mencionar - ele é terrível... Salpica a peleja!! E diverte.


"VIVA O BRASIL!"


clap, clap, clap...


=*

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Pago pau, não sou tiete!

Tenho uma lista considerável de pessoas que admiro. A preguiça de listar me impede externar, mas não corres o risco de encontrar no meu seleto rol seres bundanos, extra galácticos ou fulgazes. Por exemplo, só aqui no Brasil para darem audiência a uma mula, ops, musa paraguaia que ficou famosa (pasmem!) por sua vulgaridade e breguice ultrasônicas, ou pior, por colocar uma porcaria de celular no meio das tetas... Degradante.

É só um exemplo...Porque eu juro (juro mesmo!) que hoje não quero falar mal de ninguém.

(E Justin Bieber irritantemente perfeitinho com sua voz de marica, ou Dilma Rousseff – a mulher tá me dando até medo).

Reservei este espacinho a alguém que me encanta por existir apenas como personagem de televisão e eu saber que (talvez) nunca encontre/conheça alguém tão encantadoramente mal humorado, ácido, maquiavélico, inteligente, sagaz e perturbador como meu adorado Gregory House.

Uma pessoa assim me tiraria o sono, seria perfeito pra me deixar boquiaberta e tentada a seduzir. God!

Sou fascinada por homens maus. Não sei, está nos meus genes...Que evil. 

Aliás, o criador do personagem deve ser uma  mulher. Aposto e ganho. Só pode...É ou não é? 

Só pago pau, gente. Não sou tiete.




Cai fora, galinhada. Aqui ele é só meu.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Predadora

Uma fera bestial, de beleza indomada. Que apetite voraz de veras cruas e destemperadas ela tinha! Em seu íntimo esbravejava : "Tosco é comer mentira bem passada, à socapa de molho madeira". Tinha asco dessas coisas, a beldade. Era naturalmente singela.


E que andar...


Sem se acanhar, caminhava vistosa e sorrateira por sobre os solos escabrosos de seus sonhos. Nada a intimidava. Seus olhos antigos não podiam trair a visão arguta de gata no cio: o instinto a supria, respondia sempre.


Assim, ao encontro do olhar inteligente da presa, seiva parruda descia por entre os cantos espremidos de seus lábios ávidos e a amansava. Ela observava o perfume, imóvel... Efeito que uma boca carnuda por si só não era capaz de surtir. Era fera, temida, lendária. Mesmo assim, cedia quando desses encontros inusitados, bem a modos raros. Logo enjaulava suas presas iludidas, para depois se deliciar lentamente do banquete. Impiedosa.


Era mal compreendida. Tinha consigo o mesmo instinto ingênuo da criança que arrancou uma flor de seu jardim na tentativa de apanhar para si toda a imensidão de sua beleza, sem se dar conta de que seu gesto foi um presente para a morte.


Triste das belas criaturas.


O futuro ingrato de suas presas não pertencia a ela mesma. Mais do que atraente, era temida. E assim, solitária.

Dizem que continua por aí, à espreita. Cuidado!

=*

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Mais um pouco de shit-tv

Eu queria revoltar (nem escrevo ou falo mais sobre tv, só revolto) do grande prêmio de Fórmula 1 da Alemanha desse fim de semana, mas nem vou tecer comentários. Quem assistiu entende o que digo.


Não menos revoltante...


E aquele ator, hein? O bombadinho com a cara meio derretida? Ah, sim: Sylvester Stallone.

Bem disse o tal radialista a respeito desse episódio tosco: "Minha avó dizia que não devemos gastar muita vela com defunto ruim." Um cafézinho pro Stallone. Bem amargo.

Tipo como esse só entende de alimentar seus egos inflamados e purulentos, nada mais. Há de muito mais palpável em seus personagens medíocres do que neles mesmos, como pessoas comuns, sem aquele deslumbre que a profissão lhe permite. Não devo desmerecer a beleza da arte de atuar - por aqueles que sabem o que é atuar, né? Então, não generalizo meus comentários. 

E o que essa gente não se atenta é que a mídia permite algo muito maior do que a beleza do gliter e glamour: o poder da palavra. Acredito ser esse o maior de todos os poderes - veja Hitler o que conseguiu fazer com suas palavras.

Infelizmente, é um poder não dado, mas jogado em mãos despreparadas e bocas derretidas. Como a de Stalone, por exemplo. O que esperar de alguém que usa suas palavras para zombar da cordialidade, pacificidade e alegria de um povo?

Ô, Rock, temos macacos sim (macacos com a esperteza que você deveria invejar). E temos bananas, belas mulatas, paisagens exóticas. A exorbitante desigualdade social. Um povo humano e simplório. E temos a ingenuidade brasileira. Que é bonitinha, vá... antes assim que assado.

Minha pequena vela pra esse defunto derretido acabou: descanse em paz, Sylvester Stallone.

Porque só eu posso falar mal do meu pai carrasco.

=/

imagem: Vitor Castro


(ai, eu preciso dizer: Alonso, seu sonso! Ferrari, sua bosta!)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Bolo e sangue

Só consigo assistir o jornal da manhã às sete e House à meia noite e meia. House e jornal são legais. Mas no ínterim entre o final do jornal da manhã e o me aprontar para o trabalho, acabo escutando um pedacinho de Ana Maria Braga. Todos os dias. 


Percebi que Ana Maria percebeu que falar de morte e desgraça e tragédia e corpos dados aos cachorros lhe rendem boa audiência. Uma datena global. 


Aguentar a mídia quando coisas sinistras acontecem já é um saco. É perturbador, sendo mais exata. Daí os poucos que sobram para te proporcionar algum entretenimento mais leve, tendem a cair nesse mesmo buraco. Triste da Ana Maria. E das trocentas donas de casa que mandam aqueles emails que passam correndo embaixo da tela: "Seu programa é ótimo, só tem matérias importantes. Parabéns". Aff...


Que combinação mais esdrúxula de receitas de bolo e sangue. Vá entender.


E estão querendo jogar luminol na boca dos cachorros. Joguem luminol no globo terrestre. O planeta azul, então, roubaria o nome de nosso vizinho e passaria a se chamar "planeta vermelho". Nada mais justo.


Crueldade faz parte. Curiosidade também.


=*



terça-feira, 29 de junho de 2010

Jabuzelas e vuvulanis...



É ano de Copa do Mundo: 2010. E ano de ser brasileiro - todos em solo verde-amarelo lembram desse mero detalhe nas copas mundiais. Ah não e não, tô mentindo. Brasileiro também lembra que é brasileiro na fila do SUS ou INSS. Mas não entremos nesse viés da história. É época de alegria e povo feliz é o que importa.

Aos comentários.


Cornetas não são bem vindas ( para mim ). Talvez porque eu tenha um pequeno problema auditivo e não suporte potentes vibrações sonoras. E é ano de vuvuzela (quem foi o infeliz que inventou essa merda?) 
Whatever... O povo feliz é o que importa. Coloca tampão, Patricia.


A Copa 2010 traz itens diferenciados de 4 anos para cá: proporcional ao barulho são os erros gritantes de arbitragem. E jogadores bastante "hots". E torcidas das arquibancadas com alternativas bastante criativas para chamar a atenção das câmeras mundiais ( mas não vi ninguém ainda com a clássica melancia na cabeça ). E o "Cala a boca, Galvão!!" globalizado. Quem diria.


Whatever...O povo feliz é o que importa.  


O que realmente me surpreende é o que futebol é capaz de fazer, desde parar guerras sangrentas entre povos a provocar guerras sangrentas entre torcidas; movimentar zilhões e zilhões de dinheiros; manipular todos os veículos de comunicação, indústria, produção de cornetas e perucas, informalidade, folga no trabalho... TUDO O QUE VOCÊ PODE IMAGINAR NO GLOBO TERRESTRE! Por 22 bobocas milionários (e "hots") correndo num gramado atrás de uma bola bem redondinha. 


É engraçado, mas futebol tem dessas coisas. Assim como Brasil tem de caipirinha e feijoada, Japão tem de sushi, África tem de safaris, Alemanha de chucrutes, EUA Casa Branca, França antipatia, Islândia gelo... 
Futebol é do povo e o povo é assim. 


Porque, no final, ser feliz é o que importa. E whatever... 


=*

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Danke shön, saumensch!

As últimas páginas solicitaram minhas lágrimas. Acabei a leitura com a sensação de ter sido completo. O livro. 


Sempre tem uma parte que é chata, geralmente é a parte do meio. Mas nesse caso não senti onde era meio, começo ou fim. 


O triste é tão igualmente belo que o alegre. Eu diria até que tem mais requinte, pois o alegre soa bobo, infantil, insosso. Poesia com alegria vira melaço e chacota, com tristeza sabedoria. 


Meus textos afiguram-se revoltos ou tristes àqueles distantes, mas sou dúbia, dupla. Alegre e boba na carcaça, e belamente triste na minha alma. 


Viva os sonhos...viva os livros!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Discípulo da atendente

Apontamentos do dia: 22 / 06 / 2010.


Período da manhã (e basta!)


 8:00h -   Acordei e me aprontei para o trabalho. Chuva forte.
 8:10h -   Ana Maria Braga na TV começa falando bobagens sobre a Copa do mundo.
 8:30h -   Café da manhã na padoca - pingado e pão com manteiga.
 9:00h -   Computador ligado, agenda aberta, tarefas do dia. Friozinho, sossego, calmaria.
10:18h -  Ligação para Sr. D (de desagradável mesmo) - dúvidas a respeito de um projeto.
10:24h -  Dúvidas não sanadas; aumento da entonação de voz.
10:25h - "Puta que pariu, hoje é dia..." - essa sou pensando. Orelha vermelha e desintegrada c/ a voz ácida de Sr. D.
10:27h - Sr. D, perito em esculacho, ainda me esculacha. Eu quieta, engolindo com farinha a seco. Afinal, cliente é cliente.
10:28h - Tentativas vãs de esclarecimentos. Sr. D (de "Desisto!") me vence.
10:31h - Lembrou-me alguém esse episódio. A atendente do Mc Donald´s. Com uma diferença: eu não desci do meu salto de borracha.


Até a hora do almoço eu aprendi que quando se tratar de senhores D, minha hora técnica sofrerá um engorda de pelo menos 150%.


Como eu odeio falta de educação.


=*

terça-feira, 25 de maio de 2010

Perucas, cabides e muletas

Uma peruca é bom. Dois cabides...pode ser! Três muletas, homem, já é demais.


Porque ele tinha aquele problema em seu cocuruto. Alguns fios sobre uma curva bastante lustrosa. Daí a peruca de fios um tom acima de suas escassas madeixas naturais. Em concordância com seu bom senso sabia não estar próximo do belo, mas ao menos aqueles fios que o expunha tão friamente foram neutralizados. Escondidos. Tá.


Dois cabides penduravam seus dois únicos casacos. O fato de não haver mais deles não se dava por falta de condições, mas pensava: se os cabelos são escassos, para quê tantos casacos? Tinha dois apenas. E não se fala mais nisso.


As muletas...
Homem de poucos luxos materiais e certa vaidade que pensava ter direito às suas sagradas muletas. Uma para dormir, outra para amar. A terceira para viver.
Entretanto nenhuma delas o levavam a lugar algum.


Já se olhou no espelho hoje? Cuidado, as aparências são efêmeras...




=*



sábado, 22 de maio de 2010

DEUS

Tem um cara que fala de Deus com a mais bela naturalidade, o que certamente me impressiona.

Ao contrário dos repetitivos clichês entoados superficialmente pela maioria, ele surge de forma diferente, por vezes revelador, por outras um tanto enigmático, mas nunca encontrei tanta sinceridade e clareza nas palavras como vejo em seus discursos. A simplicidade de definir aquilo que não tem definição é um desafio que ele enfrenta e domina de forma magistral. Ponto forte que me fez sua grande admiradora.

Entretanto, para continuar, creio que devo esclarecer alguns aspectos sobre minha orientação religiosa, se é que posso dar nome... Não me presto ao trabalho de acatar dogmas ou imposições que qualquer instituição que se designa "religiosa" tente me persuadir. Isso vem dentro de mim desde muito menina ainda. Estudei em colégio de freira e tinha tudo para ser católica. Amigos próximos são, família é... Mas nunca, sem sofrer qualquer influência externa, aceitei certas afirmações e crenças. Vem de mim, pois acho que cada ser humano tem sua história, suas limitações, seu nível de aprendizado, seu caráter, índole, seus princípios, sua moral e assim vai. Qualquer tipo de controle é violência, é invasão. Ser religioso não se justifica indo à um lugar ou lendo certos livros.

Portanto, posso afirmar que sou uma pessoa religiosa, sem ter uma religião. Costumava me definir com agnóstica. No caso, teísta, pois na busca de uma definição racional, acredito que há algo, mas não sei o que é. Mas, a essa altura, já não sei mais se posso me definir assim... Pois é nesse vértice que se encontra o grande ponto chave: não há o que saber, minha querida, você é!
" ...o maior dos pecados é o do conhecimento. E em que consiste exatamente o pecado chamado conhecimento? Ele consiste em reduzir Deus a uma metáfora, a um sinal, a um símbolo, a um ídolo." **

Retrocesso: Ano de 1995, aula de química, professora Solange. Cabelos louros finos e lisos, estatura baixa, corpo proporcional. Rosto triangular e olhar rasgado, lábios finos. Ela tinha uma estranha postura e modo de falar bastante vago. Sua aparência era similiar àqueles seres extra-terrestres de filmes de ficção. Mas era bonita. Certa vez, esquecendo seus elementos químicos, ela filosofou sobre algo que nunca mais esqueci. Nunca mais esqueci aquelas palavras: "...nesse grupo de amigos temos grande afinidade e não precisamos terminar uma frase para conversarmos e entendermos um ao outro. A gente simplesmente é."


Deus é.


Voltando...

Osho compartilha suas experiências com vocabulário simples e metáforas bastante sábias. Não há como refutar. Desperta grandes reflexões.
" Eu lhe digo: eu sou Deus, você é Deus, árvores são Deus, rochas são Deus. Somente Deus é. O estado do é e o estado de Deus não são dois fenômenos, mas apenas maneiras de dizer uma coisa ou diferentes maneiras de dizer a mesma coisa. Na verdade, é repetitivo dizer que Deus é, pois Deus significa é." **

Minha irmã outro dia me ensinou o significado da saudação "namaste", utilizada no sul da Ásia. É simples, linda: "A Divindade que habita em mim saúda/adora a Divindade que habita em você". Acabei de ler uma definição no Wickipedia mais elaborada: "Eu honro o local em você em que o Universo inteiro reside; eu honro o lugar em você que é de Amor, de Integridade, de Sabedoria e de Paz. Quando você está neste lugar em você, e eu estou neste lugar em mim, nós somos um."

Somos parte de Um. Deus é tudo e cada um de nós somos Deus. O fato de sempre nos terem separado Deus, faz com que não consigamos assimilar ou aceitar que somos uma divindade, cada um de nós e o mundo à nossa volta. É isso que há por aí o tempo todo: pessoas que, fazendo proveito do nome de Deus, reduzem outras pessoas a nada, a seres temerosos cheios de culpa. Como se Deus fosse algo fora de nós, alheio e soberano. Porque nos fazem sempre de bobos da côrte?

E eu quis compartilhar um pouco disso. Assim eu sigo tendo meus súbitos entendimentos sobre fatos e coisas enigmáticas, desde a existência ou não de sereias e vampiros e a definição do que é Deus, no fascinio de todo seu mistério e magnitude.

Sim, eu sou, você é. Nunca duvide.

=*


** Osho - A Sabedoria das Areias - Discursos sobre o Sufismo - Vol. I I

terça-feira, 27 de abril de 2010

Oh, you couldn't get much higher

E aquela menina, tão tímida e pacata viu-se de encontro com o inusitado. Primeiro fungou e depois refletiu: "Poderia ser bom... Sim, por que não?"

Dentro de poucos segundos ela percebeu que estar fora do controle é o jeito mais foda de se viver. Ter controle é medo do desconhecido, do acaso.

Se estava ali a passeio, qual motivo a levaria a ser a mesma sempre? Escolher as mesmas roupas e perfumes, conversar com as mesmas pessoas e ter a mesma reação previsível diante de tudo. Abrigar em si uma monotonia que cerca e anula, remove os sabores.

O desapego é fundamental.

Mas, em menos tempo que levou a breve reflexão, percebeu que ser aventureira tem lá seu preço... O que, afortunadamente, não a incomodou, pois sabe que não deve cento algum e não tem nada a pagar a ninguém.

Compreender que a compreensão das coisas depende de sua postura e que o centro de seu universo está em si mesma foi sua maior conquista.

Tendo esse insite, olhou pro quadro do cabeludo acima de sua cabeceira, jogou um beijinho e cantarolou baixinho: "...You know that it would be untrue; you know that I would be a lier; If I was to say to you; Girl, you couldn't get much higher..."





Isso mesmo.

Come on, baby...light my fire...

=*